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sábado, 29 de setembro de 2012

Aula: Eurípides Barsanulfo - juventude - 29/09/2012



Tema: Valores Morais
Aula: Eurípedes Barsanulfo
Objetivo Formativo: Reconhecer que é possível estar no mundo sem ser do mundo.
Objetivo Informativo: Identificar personalidades que atuaram em prol da implantação das bem-aventuranças no mundo.

Incentivação Inicial: Pra aquecer a mente. Você lembra do professor(a) que mais te marcou ? Por quê ? 5 minutos

Desenvolvimento: Que tal brincarmos de Repórter por uma tarde ? 40 minutos
Dividir a sala em três equipes e entregar o material escrito sobre a vida de Eurípedes Barsanulfo em fases:
Equipe 1: A vida de Eurípedes
Equipe 2: Eurípedes e a Pedagogia Espírita
Equipe 3: Eurípedes e a Caridade (vida mediúnica)
Sugerir 10 minutos de leitura do material e 10 minutos de preparação para posterior apresentação da reportagem à sala.
5 Minutos para cada Equipe se apresentar

REPÓRTER POR UMA TARDE
Você recebeu estes dados sobre uma personalidade chamada EURÍPEDES BARSANULFO e terá 10 minutos para ler e preparar uma matéria para apresentar no jornal da sua turma em 05 minutos.

Equipe 1: Uma breve Biografia
ü  Nasce, na cidade de Sacramento em Minas Gerais, em 1° de maio de 1880
ü  Filho de Hermógenes Ernesto de Araújo (Sr. Mogico) e Jerônima Pereira de Almeida (Dna. Meca)
ü  Desde cedo, encontra dificuldades e problemas familiares
ü  Inicia sua educação aos 5 anos, com o pai matriculando-o na escola de Joaquim Vaz de Melo
ü  A família se muda para a Estação do Cipó, em 1885 e Eurípedes apresenta lacunas na sua educação
ü  Desde cedo manifestou- se nele profunda inteligência e senso de responsabilidade, acervo conquistado naturalmente nas experiências de vidas pretéritas.
ü  Em 1889 a família retorna a Sacramento e o pai de Eurípedes o matricula no famoso educandário de Sacramento, o Colégio Miranda. Permanece ali até a conclusão de seus estudos em 1891
ü  Aluno ativo e dedicado, desde jovem demonstra suas aptidões literárias e artísticas
ü  Participou da fundação de um grêmio dramático, aos 12 anos de idade, participando diretamente de apresentações artísticas, surpreendendo a todos.
ü  Mostra desde menino grande tendência em auxiliar os doentes e pobres, constantemente estudando e consultando obras sobre medicina
ü  Em 1902 tem a possibilidade de viajar com o pai ao Rio de Janeiro com o objetivo de continuar seus estudos ingressando numa faculdade de medicina; regressa a Sacramento depois de 20 dias e quando estava de malas prontas para a mudança, sua mãe entra em crise sentindo a separação do filho e este, então, desiste de prosseguir viagem.
ü  Após desistir de estudar medicina, também em 1902 funda com outros professores o Liceu Sacramentano
ü  O Liceu Sacramentano funcionava no antigo prédio do cartório do 1° Ofício e já apresentava uma proposta pedagógica inovadora, mas não como no Colégio Allan Kardec
ü  “ Mestre abnegado aos vinte e dois anos, era profundamente estimado pelos seus discípulos e pelos familiares dos mesmos. Transmitia também o elevado gosto pela arte séria. Educador nato, professava uma arte e uma ciência, e neste passo, o Liceu Sacramentano crescia no conceito geral e não tardou para que a fama do trabalho honesto e conscienciosos, que ali se desenvolvia, a favor da educação, transpusesse as fronteiras de inúmeras cidades, que enviaram seus filhos para estudar em Sacramento...”
ü  Converte-se ao Espiritismo entre 1903 e 1905, encontrando resistências e conflitos diante de sua decisão, inclusive dentro da própria família
ü  Funda uma pequena farmácia homeopática, com objetivos claros de atender os pobres e necessitados em geral
ü  É vereador entre 1904 a 1910, desenvolvendo inúmeras ações para o crescimento da cidade de Sacramento e beneficiando significativamente a população
ü  Sua família também aceita as idéias espíritas a partir de 1905 e com o apoio familiar funda o grupo “Esperança e Caridade"
ü  Funda o Colégio Allan Kardec em 31 de janeiro de 1907
ü  Desencarna no primeiro dia de novembro de 1918 vitimado pela “gripe espanhola”

REPÓRTER POR UMA TARDE
Você recebeu estes dados sobre uma personalidade chamada EURÍPEDES BARSANULFO e terá 10 minutos para ler e preparar uma matéria para apresentar no jornal da sua turma em 05 minutos.

Equipe 2: EURÍPEDES E A PEDAGOGIA

O Liceu Sacramentano
ü  Fundado em 31 de janeiro de 1902, por Eurípedes Barsanulfo e outros professores, sob o calor do Entusiasmo e das esperanças do povo.
ü  O prédio passou por diversas reformas com intenções pedagógicas, patrocinadas por José Monteiro da Silva Junior, porém, após a conversão de Eurípedes ao Espiritismo, todos os pais retiram seus filhos da escola e passam a hostilizá-lo
ü  Os professores também abandonam o colégio; o mobiliário escolar foi retirado e o prédio requerido por seus proprietários. Eurípedes assim, encontrava inúmeras dificuldades para prosseguir
ü  Num momento de abatimento e tristeza, Eurípedes se põe a chorar e durante ardorosa prece, sente-se impelido a escrever, impregnado de magnetismo suave, de uma fluidez radiosa. Hesita, diante do nome da Elevada Entidade que se apresenta, mas não consegue resistir e mecanicamente escreve:
ü  “Não feche as portas da escola. Apague da tabuleta a denominação Liceu Sacramentano que é um resquício do orgulho humano. Em substituição coloque o nome Colégio Allan Kardec. Ensine o Evangelho de meu filho às quartas-feiras e institua um curso de Astronomia. Acobertarei o Colégio Allan Kardec sob o manto do meu Amor.” Maria, Serva do Senhor
ü  Nasce o Colégio Allan Kardec

O COLÉGIO ALLAN KARDEC
Sua organização, seus pressupostos e objetivos e a ação pedagógica de Eurípedes.
Em Minas Gerais no período republicano se dava a remodelação da educação. Encontra-se nos relatórios estudados uma preocupação dos inspetores, dos diretores e professores mineiros no início da República em organizar as escolas de acordo com novos modelos. Remodelar toda a estrutura educacional mineira era preocupação do Estado, nas primeiras décadas da República. Essa questão aparece muito clara nos relatórios oficiais do governo. Vemos se desenvolver em Minas, assim como em São Paulo, um conjunto de ações e intenções educacionais inovadoras referentes à expansão, à organização, ao programa, ao método, ao professor, à mobília, à estrutura física, aos materiais. Na verdade, se desencadeia uma nova forma de organização escolar, mais racionalizada, disciplinadora, controlada, fiscalizada, elementos que, segundo os agentes da educação, eram essenciais.”
ü  O colégio funcionava em forma de cooperativa entre os professores, como no Liceu Sacramentano
ü  Eurípedes adota outros procedimentos, a ordem e a disciplina não era condições essenciais no cotidiano do colégio.
ü  As relações entre Eurípedes, os professores e os alunos não eram tão rígidas e hierarquizadas. Eurípedes queria construir uma escola com mais liberdade, autonomia, diálogo e afeto.
ü  Eurípedes nunca assumiu o papel de fiscalizador e de controlador, era o diretor do colégio, mas não era autoritário; encontrava soluções para as tensões, discussões, críticas, discordâncias e conflitos no diálogo franco e aberto.
ü  O colégio apresentava uma quantidade de professores homens significativamente maior do que professoras mulheres. Entre os seis professores, havia uma única mulher.
ü  No curso elementar as crianças aprendiam a ler, escrever e contar
ü  Concluída a etapa elementar as crianças começavam a estudar Língua Portuguesa e Morfologia, Ciências Naturais e Gramática Portuguesa, História do Brasil e Geografia do Brasil
ü  Após esta fase, iniciavam os estudos de matérias do ensino médio. Nesses cursos estavam matriculadas crianças de faixa etária que ia de 7 a 16 anos.
ü  Eurípedes mostrava preocupação com a freqüência dos alunos. Como diretor e professor do colégio, tinha consciência das dificuldades dos alunos em compatibilizarem as atividades escolares com os trabalhos familiares, mas no dia em que faltavam ao colégio, sempre arrumava um jeito de mandar buscá-los.
ü  Não havia horários rígidos para as atividades do colégio, o tempo de duração de aula variava de acordo com o conteúdo estudado e as atividades realizadas.
ü  Haviam estudos que tomavam 30 minutos das aulas diárias, já as aulas passeio ocupavam horas de convesas e debates
ü  Havia uma quantidade significativa de crianças negras matriculadas no colégio, bem como a existência de professores também negros
ü  A promoção do aluno poderia ocorrer mesmo no primeiro semestre, segundo o aproveitamento registrado pelo mesmo
ü  Os exames finais caracterizavam-se por provas orais, para quais o aluno deveria estar bem preparado para um bombardeio de perguntas, partindo não apenas da Banca examinadora, mas do próprio Eurípedes
ü  Os trabalhos culturais, literários, artísticos e musicais, também faziam parte do processo de avaliação
O colégio apresentava por base a concepção espírita. Segundo os teóricos da Pedagogia espírita, entre eles Ney Lobo e Dora Incontri, o Colégio Allan Kardec apresenta em suas práticas os princípios básicos da Pedagogia espírita, embora não explicitados como tal. Para eles, esta escola representa o marco fundador da Pedagogia espírita no Brasil, entendida não como educação confessional, mas como prática pedagógica diferenciada, inspirada na idéia da reencarnação. Através dos relatos dos alunos e dos que conviviam com Eurípedes, parece que dois pressupostos no campo educacional davam base ao seu pensamento: a dimensão da transcendência humana e ao mesmo tempo a visão reencarnacionista”
ü  Eurípedes via o ser humano como um ser biológico, social, psicológico e espiritual. As potencialidades e as capacidades humanas não são somente produto da sociedade e da cultura em que vivemos, também se radicam na alma humana que é imortal.
ü  As relações entre Eurípedes e as crianças era de pouquíssima hierarquia; era como um companheiro que buscasse junto descobrir, conhecer, amar e progredir.
ü  O educando é um espírito imortal com autonomia para construir a si mesmo em sucessivas vidas, portanto deve-se respeitar a individualidade de cada um dos alunos.
ü  A educação, no colégio, não estava baseada nos princípios norteadores da sociedade burguesa. Não tinha por objetivo formar e formatar as crianças segundo as exigências do mercado ou simplesmente formá-las com as competências do mundo capitalista.
ü  Eurípedes assumia uma perspectiva espiritualista, não exclusivista e particularista. A sua pedagogia reconhecia o aspecto espiritual do ser humano, mas procurava evitar o proselitismo, o dogmatismo, a doutrinação. Em sua escola não existiam desejos de formar espíritas ou religiosos. Não havia aulas obrigatórias de espiritismo, pois não era uma escola confessional, no sentido tradicional do termo.
ü  Assim, Eurípedes procurou construir uma prática educativa plural, integrando ciência, filosofia e religião à moda de Kardec. Aceitava que o ser humano tivesse uma essência divina que nele se manifesta e também na cultura e ao mesmo tempo um impulso natural de transcendência que era universal, embora tomasse cores particulares de cada época e culto.
ü  No momento do intervalo os portões do colégio ficavam abertos para as pessoas que quisessem conhecer o colégio ou a rotina da escola
ü  As lições de moral não significavam ensinamentos cívicos, uma ordem imposta de forma autoritária como na educação moral que se dava na época em boa parte dos colégios. À escola cabia dar ao aluno uma educação moral através da experiência e do despertar de bons sentimentos
A escola começou a funcionar como resultado do entusiasmo pela educação e com o objetivo de formar o ser integral, biológico, social e espiritual. A experiência de Eurípedes Barsanulfo traduziu um novo olhar para a criança num momento de valorização da infância. Ela começou a ser vista em sua especificidade, deixando de ser um adulto em miniatura. O educador mineiro enxergou a criança como um ser individual e coletivo, livre, ativo, criativo... Segundo os ex-alunos, foi com esse espírito que o professor atuava no colégio e se relacionava.


REPÓRTER POR UMA TARDE
Você recebeu estes dados sobre uma personalidade chamada EURÍPEDES BARSANULFO e terá 10 minutos para ler e preparar uma matéria para apresentar no jornal da sua turma em 05 minutos.

Equipe 3: EURÍPEDES E A MEDIUNIDADE

Seu ingresso para o Espiritismo
ü  Entre 1903 e 1905 converte-se ao espiritismo através de informações de um dos seus tios. Ele tomou conhecimento da existência dos fenômenos espíritas e das obras da Codificação Kardequiana. Diante dos fatos voltou totalmente suas atividades para a nova Doutrina, pesquisando por todos os meios e maneiras, até desfazer totalmente suas dúvidas.
ü  Despertado e convicto, converteu- se sem delongas e sem esmorecimentos, identificando-se plenamente com os novos ideais, numa atitude sincera e própria de sua personalidade, procurou o vigário da Igreja matriz onde prestava sua colaboração, colocando à disposição do mesmo o cargo de secretário da Irmandade.
ü  Repercutiu estrondosamente tal acontecimento entre os habitantes da cidade e entre membros de sua própria família. Em poucos dias começou a sofrer as conseqüências de sua atitude incompreendida.
ü  Persistiu lecionando e entre as matérias incluiu o ensino do Espiritismo, provocando reação em muitas pessoas da cidade, sendo procurado pelos pais dos alunos, que chegaram a oferecer- lhe dinheiro para que voltasse atrás quanto à nova matéria e, ante sua recusa, os alunos foram retirados um a um.

Sua mediunidade
ü  Ele apresentava diversos tipos de mediunidade, como a de cura, audição, vidência, psicografia, intuição e bicorporeidade, ou seja, a faculdade de desdobramento, quando um médium surge em um determinado local enquanto seu corpo permanece em outro
ü  Auxiliava a todos, sem distinção de classe, credo ou cor e, onde se fizesse necessária a sua presença, lá estava ele, houvesse ou não condições materiais:
ü  produção de vários fenômenos fez com que fossem atraídas para Sacramento centenas de pessoas de outras paragens, abrigando- se nos hotéis e pensões, e até mesmo em casas de famílias, pois a todos Barsanulfo atendia e ninguém saía sem algum proveito, no mínimo o lenitivo da fé e a esperança renovada e, quando merecido, o benefício da cura, através de bondosos Benfeitores Espirituais.
ü  fundou o "Grupo Espírita Esperança e Caridade", no ano de 1905, tarefa na qual foi apoiado pelos seus irmãos e alguns amigos, passando a desenvolver trabalhos interessantes, tanto no campo doutrinário, como nas atividades de assistência social.
ü  Certa ocasião caiu em transe em meio dos alunos, no decorrer de uma aula. Voltando a si, descreveu a reunião havida em Versailles, França, logo após a I Guerra Mundial, dando os nomes dos participantes e a hora exata da reunião quando foi assinado o célebre tratado.
ü  Por sua dedicação e convicção na doutrina espírita, ele foi perseguido e incomodava muito a Igreja católica que enviou o reverendo Feliciano Yague, famoso por suas pregações e conhecimentos para desafiar Eurípedes para uma polêmica em praça pública, aceita e combinada em termos que foi respeitada pelo conhecido apóstolo do bem.
No dia marcado o padre iniciou suas observações, insultando o Espiritismo e os espíritas, "doutrina do demônio e seus adeptos, loucos passíveis das penas eternas", numa demonstração de falso zelo religioso, dando assim testemunho público do ódio, mostrando sua alma repleta de intolerância e de sectarismo.
A multidão que se mantinha respeitosa e confiante na réplica do defensor do Espiritismo, antevia a derrota dos ofensores, pela própria fragilidade dos seus argumentos vazios e inconsistentes.
O missionário sublime, aguardou serenamente sua oportunidade, iniciando sua parte com uma prece sincera, humilde e bela, implorando paz e tranqüilidade para uns e luz para outros, tornando o ambiente propício para inspiração e assistência do plano maior e em seguida iniciou a defesa dos princípios nos quais se alicerçavam seus ensinamentos.
Com delicadeza, com lógica, dando vazão à sua inteligência, descortinou os desvirtuamentos doutrinários apregoados pelo Reverendo, reduzindo- o à insignificância dos seus parcos conhecimentos, corroborado pela manifestação alegre e ruidosa da multidão que desde o princípio confiou naquele que facilmente demonstrava a lógica dos ensinos apregoados pelo Espiritismo.
Ao terminar a famosa polêmica e reconhecendo o estado de alma do Reverendo, Eurípedes aproximou- se dele e abraçou- o fraterna e sinceramente, como sinceros eram seus pensamentos e suas atitudes.
ü  Dedicou-se fielmente à  Jesus Cristo até o último instante de sua vida terrena, por ocasião da pavorosa epidemia de gripe que assolou o mundo em 1918


Conclusão: Se você tivesse que fazer uma matéria escrita sobre Eurípedes, qual seria a manchete ? Explique. 5 minutos


Bibliografia:

Eurípedes Barsanulfo

http://www.espiritismogi.com.br/biografias/euripedes.htm

Nascido em 1º de maio de 1880, na pequena cidade de Sacramento, Estado de Minas Gerais, e desencarnado na mesmo cidade, aos 38 anos de idade, em 1 de novembro de 1918.
Logo cedo manifestou- se nele profunda inteligência e senso de responsabilidade, acervo conquistado naturalmente nas experiências de vidas pretéritas.
Era ainda bem moço, porém muito estudioso e com tendências para o ensino, por isso foi incumbido pelo seu mestre- escola de ensinar aos próprios companheiros de aula. Respeitável representante político de sua comunidade, tornou- se secretário da Irmandade de São Vicente de Paula, tendo participado ativamente da fundação do jornal "Gazeta de Sacramento" e do "Liceu Sacramentano". Logo viu- se guindado à posição natural de líder, por sua segura orientação quanto aos verdadeiros valores da vida.
Através de informações prestadas por um dos seus tios, tomou conhecimento da existência dos fenômenos espíritas e das obras da Codificação Kardequiana. Diante dos fatos voltou totalmente suas atividades para a nova Doutrina, pesquisando por todos os meios e maneiras, até desfazer totalmente suas dúvidas.
Despertado e convicto, converteu- se sem delongas e sem esmorecimentos, identificando-se plenamente com os novos ideais, numa atitude sincera e própria de sua personalidade, procurou o vigário da Igreja matriz onde prestava sua colaboração, colocando à disposição do mesmo o cargo de secretário da Irmandade.
Repercutiu estrondosamente tal acontecimento entre os habitantes da cidade e entre membros de sua própria família. Em poucos dias começou a sofrer as conseqüências de sua atitude incompreendida.
Persistiu lecionando e entre as matérias incluiu o ensino do Espiritismo, provocando reação em muitas pessoas da cidade, sendo procurado pelos pais dos alunos, que chegaram a oferecer- lhe dinheiro para que voltasse atrás quanto à nova matéria e, ante sua recusa, os alunos foram retirados um a um.
Sob pressões de toda ordem e impiedosas perseguições, Eurípedes sofreu forte traumatismo, retirando- se para tratamento e recuperação em uma cidade vizinha, época em que nele desabrocharam várias faculdades mediúnicas, em especial a de cura, despertando- o para a vida missionária. Um dos primeiros casos de cura ocorreu justamente com sua própria mãe que, restabelecida, se tornou valiosa assessora em seus trabalhos.
A produção de vários fenômenos fez com que fossem atraídas para Sacramento centenas de pessoas de outras paragens, abrigando- se nos hotéis e pensões, e até mesmo em casas de famílias, pois a todos Barsanulfo atendia e ninguém saía sem algum proveito, no mínimo o lenitivo da fé e a esperança renovada e, quando merecido, o benefício da cura, através de bondosos Benfeitores Espirituais.
Auxiliava a todos, sem distinção de classe, credo ou cor e, onde se fizesse necessária a sua presença, lá estava ele, houvesse ou não condições materiais.
Jamais esmorecia e, humildemente, seguia seu caminho cheio de percalços, porém animado do mais vivo idealismo. Logo sentiu a necessidade de divulgar o Espiritismo, aumentando o número dos seus seguidores. Para isso fundou o "Grupo Espírita Esperança e Caridade", no ano de 1905, tarefa na qual foi apoiado pelos seus irmãos e alguns amigos, passando a desenvolver trabalhos interessantes, tanto no campo doutrinário, como nas atividades de assistência social.
Certa ocasião caiu em transe em meio dos alunos, no decorrer de uma aula. Voltando a si, descreveu a reunião havida em Versailles, França, logo após a I Guerra Mundial, dando os nomes dos participantes e a hora exata da reunião quando foi assinado o célebre tratado.
Em 1o. de abril de 1907, fundou o Colégio Allan Kardec, que se tornou verdadeiro marco no campo do ensino. Esse instituto de ensino passou a ser conhecido em todo o Brasil, tendo funcionado ininterruptamente desde a sua inauguração, com a média de 100 a 200 alunos, até o dia 18 de outubro, quando foi obrigado a cerrar suas portas por algum tempo, devido à grande epidemia de gripe espanhola que assolou nosso país.
Seu trabalho ficou tão conhecido que, ao abrirem- se as inscrições para matrículas, as mesmas se encerravam no mesmo dia, tal a procura de alunos, obrigando um colégio da mesma região, dirigido por freiras da Ordem de S. Francisco, a encerrar suas atividades por falta de freqüentadores.
Liderado a pulso forte, com diretriz segura, robustecia- se o movimento espírita na região e esse fato incomodava sobremaneira o clero católico, passando este, inicialmente de forma velada e logo após, declaradamente, a desenvolver uma campanha difamatória envolvendo o digno missionário e a doutrina de libertação, que foi galhardamente defendida por Eurípedes, através das colunas do jornal "Alavanca", discorrendo principalmente sobre o tema: "Deus não é Jesus e Jesus não é Deus", com argumentação abalizada e incontestável, determinando fragorosa derrota dos seus opositores que, diante de um gigante que não conhecia esmorecimento na luta, mandaram vir de Campinas, Estado de S. Paulo, o reverendo Feliciano Yague, famoso por suas pregações e conhecimentos, convencidos de que com suas argumentações e convicções infringiriam o golpe derradeiro no Espiritismo.
Foi assim que o referido padre desafiou Eurípedes para uma polêmica em praça pública, aceita e combinada em termos que foi respeitada pelo conhecido apóstolo do bem.
No dia marcado o padre iniciou suas observações, insultando o Espiritismo e os espíritas, "doutrina do demônio e seus adeptos, loucos passíveis das penas eternas", numa demonstração de falso zelo religioso, dando assim testemunho público do ódio, mostrando sua alma repleta de intolerância e de sectarismo.
A multidão que se mantinha respeitosa e confiante na réplica do defensor do Espiritismo, antevia a derrota dos ofensores, pela própria fragilidade dos seus argumentos vazios e inconsistentes.
O missionário sublime, aguardou serenamente sua oportunidade, iniciando sua parte com uma prece sincera, humilde e bela, implorando paz e tranqüilidade para uns e luz para outros, tornando o ambiente propício para inspiração e assistência do plano maior e em seguida iniciou a defesa dos princípios nos quais se alicerçavam seus ensinamentos.
Com delicadeza, com lógica, dando vazão à sua inteligência, descortinou os desvirtuamentos doutrinários apregoados pelo Reverendo, reduzindo- o à insignificância dos seus parcos conhecimentos, corroborado pela manifestação alegre e ruidosa da multidão que desde o princípio confiou naquele que facilmente demonstrava a lógica dos ensinos apregoados pelo Espiritismo.
Ao terminar a famosa polêmica e reconhecendo o estado de alma do Reverendo, Eurípedes aproximou- se dele e abraçou- o fraterna e sinceramente, como sinceros eram seus pensamentos e suas atitudes.
Barsanulfo seguiu com dedicação as máximas de Jesus Cristo até o último instante de sua vida terrena, por ocasião da pavorosa epidemia de gripe que assolou o mundo em 1918, ceifando vidas, espalhando lágrimas e aflição, redobrando o trabalho do grande missionário, que a previra muito antes de invadir o continente americano, sempre falando na gravidade da situação que ela acarretaria.
Manifestada em nosso continente, veio encontrá-lo à cabeceira de seus enfermos, auxiliando centenas de famílias pobres. Havia chegado ao término de sua missão terrena. Esgotado pelo esforço despendido, desencarnou no dia 1o. de novembro de 1918, às 18 horas, rodeado de parentes, amigos e discípulos.
Sacramento em peso, em verdadeira romaria, acompanhou- lhe o corpo material até a sepultura, sentindo que ele ressurgia para uma vida mais elevada e mais sublime.

Wilma

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